Entendendo os termos

Como é a primeira conversa com a psicopedagoga

Muita família adia meses por não saber o que esperar. Vale saber que a primeira conversa é sem a criança, e que ela já responde bastante coisa.

Por Cristiane Rosa · · 3 min de leitura

Uma parte das famílias que me procura demorou meses para escrever a primeira mensagem. Quando pergunto o motivo da demora, a resposta é quase sempre alguma versão de "eu não sabia como funcionava" ou "achei que ia ser um bicho de sete cabeças".

Então vale descrever.

A primeira conversa é sem a criança

Isso surpreende quase todo mundo, e é proposital.

A anamnese é feita só com os responsáveis. Existem duas razões.

A primeira é prática: preciso de informações que só vocês têm, sobre gestação, desenvolvimento, quando falou, quando andou, como foi cada ano escolar, o que já foi tentado.

A segunda é de cuidado. Ninguém deveria passar uma hora ouvindo adultos descreverem tudo aquilo que ela não consegue fazer. Se a criança já carrega a ideia de que é o problema da casa, essa hora confirmaria isso.

O que eu pergunto

Não é um interrogatório, é uma conversa. Mas tende a passar por:

A história do desenvolvimento. Gestação e parto, quando começou a falar, a andar, como foi a fala nos primeiros anos, doenças, cirurgias, uso de medicação.

A trajetória escolar. Quantas escolas, se houve troca no meio do ano, como foi cada série, quando a dificuldade apareceu, se algum professor sinalizou algo antes.

A rotina. Que horas dorme, quanto tempo dorme, como é a hora da lição, quanto tempo de tela, quem ajuda.

O que já foi tentado. Reforço, aulas particulares, outros profissionais, conversas com a escola. E o que aconteceu em cada tentativa.

O que mais preocupa vocês. Essa é a pergunta que mais rende, e a que menos tem sido feita antes.

Como ela é fora da escola. Do que gosta, no que é boa, como se relaciona, o que faz quando está sozinha. Preciso conhecer a criança inteira, não só a aluna.

O que levar

Se der, junte antes:

  • cadernos do ano, principalmente português e matemática;
  • boletins dos últimos dois anos;
  • qualquer relatório, bilhete ou e-mail da escola descrevendo a dificuldade;
  • exames de visão e audição, se tiver feito;
  • relatórios de outros profissionais, se houver.

Os cadernos são o material mais valioso, e o mais esquecido. A trajetória de um caderno de fevereiro a novembro mostra coisas que nenhuma entrevista reconstrói.

O que você sai sabendo

Não sai com diagnóstico, e desconfie de quem der um na primeira conversa.

Mas sai com algumas coisas úteis:

  • se o que vocês descrevem tem cara de dificuldade pontual ou de algo que precisa ser investigado a fundo;
  • se faz sentido começar por mim ou por outro profissional;
  • se há algo básico a checar antes, como visão e audição;
  • o que esperar do processo, quantos encontros, quanto tempo, o que sai no fim.

Em uma parte dos casos, essa conversa termina com uma orientação e nenhuma avaliação. Já aconteceu de a conversa apontar para um problema de sono, ou para uma questão de ajuste de rotina, e a família sair com um plano em vez de um processo.

E depois

Se a avaliação fizer sentido, vêm de seis a oito encontros com a criança, semanais. Depois um encontro de devolutiva com vocês e um relatório por escrito. Do primeiro contato ao relatório, cerca de dois meses.

Se a intervenção for indicada, ela começa a partir daí, com objetivos definidos.

Sobre marcar

O contato é pelo WhatsApp, e você não precisa chegar com um relato organizado. Escrever "meu filho está indo mal na escola e eu não sei mais o que fazer" já é o suficiente para começarmos.

Eu respondo pessoalmente, e nessa primeira troca já dá para eu dizer se uma avaliação faz sentido agora.

Você não precisa chegar com um relato organizado nem com certeza nenhuma. Escrever pelo WhatsApp que seu filho está indo mal na escola e que você não sabe mais o que fazer já é suficiente para começarmos. Eu respondo pessoalmente.

Respostas rápidas

A criança vai na primeira conversa?

Não. A anamnese é feita só com os responsáveis, sem a criança presente. Isso permite falar abertamente sobre a história do desenvolvimento e sobre o que preocupa, sem que ela ouça a própria dificuldade sendo descrita.

O que levar na primeira consulta com a psicopedagoga?

Cadernos do ano, principalmente de português e matemática, boletins dos últimos dois anos, relatórios ou bilhetes da escola, e exames de visão e audição se houver. Esse material adianta bastante a investigação.

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